domingo, 17 de março de 2013

Poema

Amantes.

Antes, muito antes,
A noite chorava,
O dia triste se via,
A solidão argumentava aos motivos do pranto.
Antes, muito antes,
A saudade apertava sem motivos avulsos,
Vida perfeita,
Ainda chorando nos cantos.
Antes, muito antes,
De entender o porquê,
Que antes, nos montes.
Por resultante beleza
Não enxergava de modo algum.
Mesmo antes, muito antes,
Se olhasse os seus olhos
Enxergasse a ambição,
Se dividindo e me isolando
Em um quarto de motel.
Antes, muito antes,
De há ter como amante,
Hipnotizando-me naquele instante,
Como trapo em um bordel.
Hoje há espero
Isolado em um quarto qualquer,
Ansioso pelos seus traços,
Há se fosse inteiramente minha.
O dia recomeça,
Com a noite toda em festa,
A noite não chora mais,
O dia risonho se refaz,
Quando se vai, o que era belo se desfaz.
Hoje como antes,
Encontro de dois amantes.



Ariel Pereira

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